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Por PRF     |     18.09.2019 - 15H01
Cibus: operação integrada do MPAL, PRF e SSP desarticula quadrilhas especializadas em furto e adulteração de combustíveis, na BR 101

Cibus: operação integrada do MPAL, PRF e SSP desarticula quadrilhas especializadas em furto e adulteração de combustíveis, na BR 101


As ações criminosas acontecem discretamente e as quadrilhas têm todo um organograma para facilitar as movimentações e garantir sucesso nos negócios ilegais. Tratam-se de grupos especializados no furto de combustíveis (álcool, gasolina e diesel) e formados por empresários, comerciantes e caminhoneiros, além de pessoas por eles cooptadas para servirem de elo para o cometimento do ilícito penal. Há mais de um ano, o Ministério Público Estadual de Alagoas (MPEAL), com o apoio dos levantamentos feitos pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Secretaria de Estado da Segurança Pública de Alagoas (SSP/AL), investiga dois bandos que atuam na prática desses crimes nas cidades de Colônia Leopoldina e Novo Lino e, nesta quarta-feira (18), com o suporte de equipes operacionais do Núcleo de Gestão da Informação (NGI/MPAL) e das Polícias Civil e Militar, desencadeou a operação Cibus para cumprimento de 10 mandados de busca e apreensão e mais nove de prisões temporárias, nos estados de Alagoas e Bahia. Os trabalhos são coordenados pelo promotor de justiça Rodrigo Lavor.

As quadrilhas investigadas atuam diariamente na captação ilegal de combustíveis que são retirados de caminhões de distribuidoras, com aval de seus motoristas, que trafegam na BR 101, partindo dos portos de Maceió e de Suape, este último, em Pernambuco. Não bastasse o furto, os criminosos ainda fazem adulteração, misturando outros produtos à gasolina e ao álcool para avolumarem o lucro pretendido.

O litro dos produtos repassados pelos motoristas custava R$ 2,00 e, de cada carga, eram retirados cerca de 100 litros. Daí, após a adulteração feita, a gasolina e o álcool eram comercializados, em média, ao preço de R$ 3,75 e R$ 2,75, respectivamente. Com tal movimentação, os bandos conseguiam vender até 2 mil litros de combustível por dia, gerando a eles um lucro diário de R$ 6 mil.

Os investigadores alertaram que os bandos, ao visarem somente o lucro financeiro, ignoravam os riscos à própria saúde, uma vez que manuseavam o combustível sem os devidos equipamentos de proteção individual (EPIs), além de também não darem importância ao cometimento de crime ambiental.

O esquema

Durante fiscalizações na BR 101, na divisa Alagoas - Pernambuco, policiais rodoviários federais notaram paradas constantes e suspeitas de caminhões de combustíveis no posto fiscal desativado. Foi observado que no local havia homens que conversavam com os caminhoneiros e retiravam combustíveis de seus veículos. A partir daí iniciariam as investigações acerca dos ilícitos encontrados.

A partir daí foi descoberto que há um número fixo de aliciadores, que ficam em barracas localizadas na BR 101, e aguardam os motoristas fazerem suas paradas para a retirada do combustível. Os criminosos faziam contato direto com os motoristas que transportam combustível na região e negociam a captação diária dos combustíveis extraídos dos caminhões. O comércio tem chefes e subordinados e há divisão de tarefas. Os responsáveis pelo “negócio” fazem a extração do combustível do caminhão e acerto com seu motorista, e seus subordinados fazem o transporte, adulteração e armazenamento do mesmo. O crime é tão organizado que já enumera compradores fixos do produto e existe até um serviço de “disque entrega” para clientes que não têm condições de se deslocar até o local.

Foi observado que somente este ano, 172 caminhões de apenas uma distribuidora fizeram paradas habituais no local. Em cada parada o motorista permite a extração de cerca de 100litros de combustível, obtendo o lucro de R$ 200. A falta desse combustível não era sentida pelo seu dono final, pois tratava-se de combustível puro que ainda seria transformado em gasolina ou álcool.

Finalizadas as investigações, o Ministério Público fez a representação criminal junto ao juiz da comarca de Colônia Leopoldina para que os mandados fossem expedidos. Diante do que foi requerido pelo promotor Rodrigo Lavor, o magistrado José Alberto Ramos acatou todos os pedidos do Ministério Público Estadual, tendo decretado as prisões temporárias de nove suspeitos: entre eles, servidor público do município de Colônia Leopoldina, dono de lava-jato da cidade, empresário conhecido por ter vários comércios em cidades de Alagoas e também um funcionário de uma Usina local, além de motoristas de caminhões de combustíveis.

Cibus

No latim, a palavra Cibus significa combustível. Por isso, o operação foi batizada com esse nome.