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Por Gazetaweb     |     23.12.2017 - 20H01
Após 5 anos de estudos, jovem de 27 anos se torna o mais novo diplomata alagoano

Após 5 anos de estudos, jovem de 27 anos se torna o mais novo diplomata alagoano

Pedro Henrique Zacarias foi aprovado em um dos concursos mais difíceis do país  COMENTE

 Por Jobison Barros | Portal Gazetaweb.com    23/12/2017 13h18

Pedro Henrique Zacarias foi aprovado para o cargo de diplomata

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Foram 5 anos de estudos e mais de 7 horas diárias se debruçando sobre os livros. Depois de tanta dedicação, o jovem Pedro Henrique de Sousa Zacarias, de 27 anos, agora pode comemorar. Aprovado no concurso que é considerado o mais difícil do Poder Executivo Federal brasileiro, e que contou com cerca de 6 mil candidatos inscritos, ele se tornou o mais novo diplomata alagoano e, em breve, passará a representar os interesses do Brasil perante outros países.

Pedro morou a infância e a adolescência em Maceió. Somente após concluir o Ensino Médio é que ele mudou-se para a capital paulista, onde cursou Relações Internacionais na Universidade de São Paulo (USP). 

O desejo de ser diplomata nasceu cedo, desde quando optou pelo curso, ainda aos 18 anos. A partir de 2012, quando conquistou o diploma de nível superior, ele passou a se dedicar aos estudos e a focar na aprovação. O resultado positivo não veio na primeira tentativa e nem na segunda, mas, enfim, chegou. Pedro foi aprovado em 10º lugar na classificação geral. 

Ele conta que o concurso é desafiador em todos os sentidos, levando em conta o imenso volume de matérias exigidas. O edital abrange História Mundial, História do Brasil, Geografia, Política Internacional, Economia, Direito, Português, Inglês, Francês e Espanhol. 

Além disso, ele também cita os custos elevados para garantir uma boa preparação para a prova, com investimentos em livros e professores. Há também a acirrada concorrência - quase 6.000 inscritos para 30 vagas disponíveis. Isso sem falar no nível excelente de preparação dos candidatos e nos desafios psicológicos que precisam ser superados para lidar com a insegurança e as incertezas. Para ele, "a vida de concurseiro não tem férias, nem salário, o que aumenta bastante a pressão".

"Os estudos exigem bastante dedicação e disciplina, mas não há uma fórmula pronta. O que funciona para uns, pode não funcionar para outros, assim como você pode passar 8 ou 10 horas estudando por dia e, mesmo assim, render muito pouco em termos de aprendizagem. Um dos maiores desafios foi manter um ritmo de estudos constante, além de dividir bem o tempo entre cada matéria. Felizmente, o concurso para diplomata acontece todos os anos", comentou Pedro.

O novo diplomata acrescenta que seu ritmo de estudo girava em torno de 7 a 8 horas diárias, mas, nos meses que antecediam as provas, ele chegava a se dedicar por 10 horas, todos os dias, o que era bastante cansativo. "Não acho que daria para manter esse ritmo ao longo do ano inteiro. Estudei em cursinho, em casa, em bibliotecas públicas e, mais recentemente, em uma cabine de estudos alugada, para ter silêncio e melhorar a concentração. É uma vida solitária, e o candidato precisa abrir mão de muitas coisas, mas tampouco é possível viver isolado de tudo". 

Na visão de Pedro, o lazer e contato com a família e com os amigos são fundamentais para manter a motivação. "Felizmente, minha família me deu todo o apoio necessário, não só pelo lado financeiro, que não é fácil, mas, sobretudo, pelo incentivo nos estudos. Não tenho qualquer dúvida de que, sem isso, não teria conseguido persistir cinco anos até a aprovação", ressalta. 

Pedro conta que não teve conhecimento de outros alagoanos aprovados nos últimos concursos para diplomacia, embora haja diversos diplomatas de outros estados do Nordeste. 

O CONCURSO

O certame para diplomata é considerado um dos mais difíceis do país e conta com três fases. Não há prova oral e nem de títulos, que são comuns em concursos da área jurídica. 

"Entretanto, há muitas matérias a cobrir. A primeira fase consiste em uma prova objetiva; a segunda fase é de provas de redação em Português e em Inglês; e a terceira possui seis provas discursivas: História do Brasil, Política Internacional, Geografia, Direito, Economia e uma prova de Francês e Espanhol. Geralmente, há pequenas alterações no edital entre um ano e outro, mas o modelo das provas tende a se manter. Agora, já foi divulgado o resultado final do concurso deste ano e os convocados devem tomar posse já neste mês de dezembro", explica. 

Após a posse, os aprovados têm um curso de formação em Brasília, com duração de um ano, e, depois, vão trabalhar nas várias divisões do Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty. "Estou animado com a perspectiva de me mudar para uma nova cidade, iniciar as aulas, conhecer os novos colegas de profissão, mas a sensação maior é o alívio de ter finalmente acabado com os anos de preparação para a prova, que são sempre desgastantes. É um misto de alegria, alívio e ansiedade pela vida nova", externou Pedro.

Sobre outros planos da carreira, o futuro diplomata é enfático: "A diplomacia é uma carreira de Estado que exige muita dedicação, pois precisa constantemente mudar de país. No momento, pretendo apenas me dedicar à nova profissão. No futuro, é possível que pense em outros projetos, como um mestrado, talvez, mas o foco, daqui para frente, é servir ao país da melhor forma que eu puder", completa.