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20.09.2018 - 15H52
Presença de cólera na Região Norte de Alagoas é investigada

Presença de cólera na Região Norte de Alagoas é investigada

Amostra de água de rio em Porto Calvo estava contaminada com a bactéria causadora da doença

setembro 17, 2018 às 20:56 - Por: Redação OP9
Amostra de água de rio apresentava contaminação por cólera. Foto: Ilustração/USP Imagens

Amostra de água de rio apresentava contaminação por cólera. Foto: Ilustração/USP Imagens

A presença da cólera em Alagoas está sendo investigada pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). No último dia 28 de agosto, a Superintendência de Vigilância em Saúde do órgão recolheu uma amostra de água de um rio no município de Porto Calvo, na Região Norte do estado e encontrou a bactéria. O material foi isolado e enviado para a Fiocruz, no Rio de Janeiro, onde passará por análise em laboratório.

Em nota enviada à imprensa, a Sesau informou que o último caso de cólera humana confirmado laboratorialmente em Alagoas foi em 2001, no município de Teotônio Vilela. De 2001 até agora, nenhum novo caso foi confirmado. O Estado continua o monitoramento desde o ano de 2002, e a presença do vibrião colérico no ambiente foi ambientalmente detectada em 2008, no município de Colônia de Leopoldina, Rio Jacuípe; em 2009, no município de Palmeira dos Índios, no Riacho Oiti; em 2011, no município de Murici, sob a ponte central; em 2014, no município de Quebrangulo, no Rio Paraíba. Em todos os achados, os resultados indicaram se tratar do Vibrio cholerae O1 (Ogawa 1), não toxigênico.

A secretaria informa ainda que os exames devem ficar prontos no prazo de dez dias a contar da chegada da amostra na Fiocruz. O órgão disse ainda que as providências iniciais foram tomadas assim que o material foi recolhido nas águas do rio. E recomendou que, devido à identificação de amostras ambientais positivas para a bactéria, as ações de monitoramento e controle deveriam ser implementadas e desencadeadas, de forma integrada, pelas equipes das vigilâncias. O objetivo é evitar que a cólera se alastre pelo estado.
Principais ações desenvolvidas pela Sesau:

    Intensificação das coletas ambientais, com agenda semanal para coleta e encaminhamento ao Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN), observando outros pontos e o fluxo do local onde houve a identificação, inicialmente por 3 meses;
    Alerta a todos os profissionais da atenção básica e assistência hospitalar no município, com vistas a identificação e monitoramento dos casos de diarreia;
    Visita ao Hospital Regional para sensibilizar quanto a descrição de sinais e sintomas, tratamento e digitação dos casos de diarreia;
    Realizar coleta de amostras clínicas para envio ao LACEN, em todos os pacientes com diarreia, independente da gravidade, dos municípios da 2ª e 3ª Regiões de Saúde;
    Intensificar a distribuição e orientações ao uso do hipoclorito de sódio para desinfecção da água em domicílio;
    Realizada busca ativa retrospectiva (30 dias) dos casos de diarreia, nas fichas de atendimentos e prontuários;
    De forma conjunta (Estado e município), a Vigilância Sanitária vem realizando ações de fiscalização nos pontos de venda de água mineral e em possíveis áreas de envase clandestino.
    Atualização sobre Diarreia para profissionais da assistência à saúde do município (agendada para 20/09, próxima quinta-feira).

A cólera

Uma bactéria chamada Vibrio cholerae é a responsável por causar a infecção de cólera. Essa bactéria, conhecida popularmente como Vibrião colérica, libera uma toxina chamada CTX, que se liga às paredes intestinais, onde ela interfere diretamente no fluxo normal de sódio e cloreto do organismo. Essa alteração faz com que o corpo secrete grandes quantidades de água, levando à diarreia e a uma rápida perda de fluidos e de sais importantes, os chamados eletrólitos.

A transmissão de cólera é fecal-oral e se dá basicamente por meio de água e alimentos contaminados pelas fezes ou pela manipulação de alimentos por pessoas infectadas. A infecção pela bactéria costuma acontecer após uma pessoa consumir água, frutos do mar, frutas e legumes crus e alguns grãos contaminados, como arroz e milho, por exemplo.
Más condições sanitárias

A cólera pode surgir em ambientes que não disponham de condições sanitárias e higiênicas adequadas, com ausência de saneamento básico e de abastecimento de água potável, por exemplo. Essas condições são comuns em acampamentos e em outros locais de grande aglomeração humana, como campos de refugiados e em áreas pobres e devastadas pela fome, por guerra ou por desastres naturais.


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