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Por Cada Minuto     |     26.11.2017 - 16H41


Em dois pontos de Alagoas, um professor e uma criança não se conhecem, mas plantaram o mesmo sonho: criar uma biblioteca para levar literatura a toda uma comunidade, carente inclusive de cultura. Mais conhecida, a biblioteca da Mell fica no Sertão, em Mata Grande. Já a biblioteca Santo Tomás de Aquino, organizada por Gilberto Cavalcante, está instalada na periferia de Maribondo.

 

Coincidentemente, a iniciativa do maceioense Gilberto, professor de Filosofia e Sociologia, floresceu numa rua de terra batida localizada no bairro batizado de Campo dos Milagres. O espaço onde a biblioteca funciona desde abril deste ano é cercado de pequenas casas onde muitos dos vizinhos sequer sabem ler.

 

Um desses vizinhos, um casal de idosos formado por um carroceiro e uma agricultora aposentada, se transformou em aluno para poder desfrutar do espaço que já conta com mais de mil títulos. “Logo que abrimos a biblioteca, essa senhora me disse que gostaria muito de frequentar o local, mas tinha vergonha de vir porque não sabia ler... Então me ofereci para dar aulas aos dois e eles aceitaram”, contou Gilberto, acrescentando que as aulas dos futuros leitores acontecem nas noites de sexta-feira.

 

Em entrevista ao CadaMinuto no imóvel onde funciona a biblioteca, o professor disse que a ideia de montar o lugar surgiu em meados do ano passado, depois que ele leu o livro “Todos os caminhos levam a Roma”, onde o autor Scott Hahn revela que utilizava o próprio acervo literário para dar aulas de Teologia.

 

A princípio, Gilberto passou a emprestar seus livros às pessoas da igreja católica que frequenta, mas depois a ideia se expandiu e ultrapassou a confraria que se reúne uma vez por semana para rezar o terço na biblioteca, onde ocorre também um curso bíblico ministrado pelo professor.

 

Em 23 de abril deste ano, ele usou a casa da família, construída em parte pelo sogro, para abrigar a biblioteca, inicialmente com seu acervo próprio de cerca de 400 livros e mais 540 obras doadas pelo padre Ernesto Amintas, que foi pároco em Maceió. “Quando mencionei a ideia ao padre, ele doou todas essas obras, entre livros católicos, de história, didáticos e enciclopédias, de seu acervo pessoal”, explicou.

 

Fé e literatura

 

Mantida com recursos próprios, a biblioteca funciona as quartas, quintas e sextas, das 8h às 11h e das 14h às 17h, e aos sábados, das 8h ao meio-dia. O trabalho de receber as pessoas – o público predominante ainda é de católicos frequentadores da mesma igreja de Gilberto -, organizar o acervo e manter o espaço em geral é realizado por ele e pela esposa, a contadora Ana Márcia.

 

O casal mora em uma residência que é praticamente uma extensão da biblioteca, localizada na rua detrás, e o professor formado em Teologia, Pedagogia e Docência do Ensino Superior, leciona em uma escola pública da rede estadual no município de Tanque D´Arca.

 

A ligação do idealizador da biblioteca com a fé e a literatura sempre foi estreita. Gilberto participou como religioso por quase sete anos do Instituto do Verbo Encarnado, onde os muitos livros e uma pergunta sempre lhe acompanharam: “Senhor, que queres que eu faça?”.

 

No Campo dos Milagres, a resposta à oração está aberta a doações de livros, DVDs e CDs (para o acervo que está começando). Mais informações: (82) 99671-5643, 99174-1822, gilbertocms@hotmail.com, www.gilbertocavalcante.com e www.bibliotecasantotomas.com.br.

 

 

Aventuras

 

“A paixão pela leitura despertou em mim quando eu era bem pequena”, revelou Ana Mel Araújo Rocha da Silva, conhecida como Mell, do alto de seus dez anos de idade. A menina ganhou à mídia e às redes sociais depois de lançar uma campanha, em 2015, para arrecadar livros e montar uma biblioteca em Mata Grande, cidade sertaneja onde vive.

 

Mas, foi a participação no quadro “Agora ou nunca”, do programa Caldeirão do Huck, em agosto do mesmo ano, que alçou a jovem leitora a condição de celebridade.  

 

As pessoas se sensibilizaram e atenderam ao pedido da menina que, em abril deste ano, conseguiu abrir a tão sonhada biblioteca, em um espaço ao lado da casa onde mora com a mãe e os avós.

 

“A ideia surgiu para que todas as pessoas pudessem ter acesso aos livros e ao universo maravilhoso e único que a leitura proporciona. Conseguimos arrecadar milhares de títulos e agora crianças de diversas escolas nos visitam em busca das aventuras que estão nas páginas dos livros”, comemora Mell.

 

Ela acrescentou que os que não sabem ler também são muito bem-vindos ao espaço, onde são realizadas rodas de leitura com contação de histórias, e defendeu que não existe idade para embarcar neste universo: “É uma paixão que está dentro da pessoa”.

 

Os livros doados à Biblioteca da Mell devem ser entregues no Sítio Encruzilhada, na zona rural de Mata Grande. Mais informações: (82) 9.9335-5983