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Por Gazetaweb     |     22.05.2018 - 21H08
Alagoanos denunciam trabalho escravo no interior da Bahia
Alagoanos denunciam trabalho escravo no interior da Bahia
Eles deixaram a cidade de Murici com a promessa de trabalhar em fazenda de café ganhando até R$ 100 por dia, mas se depararam com situação degradante
Por Gazetaweb, com Bahia Dia a Dia 22/05/2018 15h46 - Atualizada às 22/05/2018 16h23
Trabalhadores denunciaram trabalho escravo em propriedade rural no interior da Bahia FOTO: Bahiadiaadia Cerca de 40 alagoanos que residiam na cidade de Murici denunciaram ao Ministério Público do Trabalho na Bahia (MPT-BA) que foram submetidos a trabalho escravo numa fazenda utilizada para a plantação de café, localizada nas proximidades de Caraíva, distrito de Porto Seguro, interior da Bahia.
Em depoimento aos procuradores, eles revelaram que saíram do interior de Alagoas após receberem a promessa de que, na propriedade rural, teriam direito a alojamento, material de trabalho, alimentação e remuneração diária de até R$ 100. Na oportunidade, os trabalhadores contaram que a recepção foi a pior possível. "Dormimos em colchões no chão. O banheiro estava quase inutilizável. Já as refeições prometidas pela empresa nunca eram entregues", relatou o grupo, acrescentando que a propriedade também não assinou nenhuma carteira de trabalho. Valdemar Santos, 32 anos, disse que chegou a ficar cinco dias sem comer enquanto trabalhava na propriedade.
Além das péssimas condições do local, Valdemar disse que todos eram maltratados pelos responsáveis pela plantação de café. "A gente só recebeu bolacha, farinha e salame. Esta foi a única alimentação durante o período em que lá estivemos. Foi um tempo de bastante dificuldade", relatou o trabalhador à imprensa local. Já Reginaldo da Silva, de 22 anos, informou que, além de passar fome, também se feriu porque não recebeu instrumentos de proteção necessários à atividade na lavoura, como luvas e botas. "Não forneceram nenhum material. Estou com muitas feridas nas mãos e nos pés porque não usei nada para me proteger. Além disso, também corremos o risco de sermos picados por cobras", acentuou. Insatisfeito, o grupo resolveu questionar o gerente da fazenda.
Após desentendimento na tentativa de um acordo, os trabalhadores contam que foram levados para a cidade de Itabela, onde foram abandonados. Sem dinheiro sequer para o transporte de volta, eles buscaram ajuda junto à Assistência Social daquele município, onde receberam apoio e alimentação.
Acionada, a equipe do MPT de Eunápolis se dirigiu à Itabela e ouviu o desabafo dos trabalhadores. Uma equipe da Polícia Rodoviária Federal (PRF) também foi acionada e, acompanhada dos procuradores do MPT, dirigiram-se até a propriedade rural e confirmaram a denúncia. O proprietário da fazenda não foi localizado. A previsão é a de que os trabalhadores retornem à cidade de origem nesta quarta-feira (23).