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05.03.2019 - 22H11
Tudo Azul , 75 anos de brilho nas ruas de Murici

Tudo Azul , 75 anos de brilho nas ruas de Murici


Por Vera Iolanda Guimarães


Existem eventos que são criados e se tornam tradição, e muito além de tradição,  se tornam paixão para gerações e gerações.  Assim é o Tudo Azul, bloco carnavalesco de Murici ,  onde a tinta azul da o tom e diverte desde os mais pequenos aos veteranos,  porque tem gente que cresceu e envelheceu participando do bloco mais esperado da cidade  .

Antecedido por outros dois grandes blocos:  O das Kengas,  que sai aos domingos à tarde e no qual os homens se vestem de mulher e o do Caixão,  bloco no qual também o uso da tinta define o visual dos foliões ( sendo que neste a tinta é preta), o Tudo Azul arrasta uma multidão,  e conta com foliões vindos de várias cidades alagoanas e também de outros Estados.

Para o folião muriciense , os três blocos fazem a história do carnaval na cidade, mas carnavalesco que é carnavalesco não se limita . Um novo bloco, criado há seis anos, ja começa a cair no gosto do povo.: O Papa Cuscuz, bloco que desfila nos sábados Zé Pereira à noite, leva  para a rua o autêntico frêvo e a exemplo dos Papangus de Bezzertos, Pernambuco , os seguidores do Papa Cuscuz desfilam com o rosto coberto com máscaras venezianas e longos abadás..

Um grande destaque , no entanto, é  o Bloco das Kengas . Por sua performance alegórica,  o bloco esta resgatando a cada ano , o prazer do folião pelo uso de fantasias; costume que praticamente havia desaparecido do Carnaval de Murici.

O Bloco das Kengas tem como idealizadores, o conhecido e saudoso  Valdo Tenório,  o Formiga Atômica , e o muriciense Wellington Souza,  parceiro da criação.

Porém,  para os carnavalescos da gema , os adeptos do frêvo, o velho carnaval está fazendo uma grande falta. O muriciense de alguns anos atrás, nasceu e se criou participando de bailes no antigo clube de sócios da cidade. A partir do sábado  Zé Pereira , o folião se entregava de corpo e alma à festa de Momo. Raros foram os que não participavam dos bailes noturnos de carnaval,  das matinés no clube e dos blocos de mela mela,  Tudo Azul  e Caixão.

Eram três dias de carnaval intenso e o que não faltava era energia, até o indesejado momento, quando o dia raiava e a banda tocava a marchinha 'Quatta-feira ingrata'. Era de fazer chorar, como destaca a música. O jeito era se conformar e esperar mais um ano.

Agora, o cenário mudou em toda a sua essência.  Murici vive   o carnaval   festejado apenas pelos blocos de rua, e por volta das 16h00 da terça- feira , após o desfile do Tudo Azul , a cidade esmorece.

Não há a íntensidade do Carnaval de outrora, não há o frevo de deixar os pés doloridos o resto da semana,  não há mais salão para dar voltas, não há as bandeirinhas,  não há as máscaras no salão,  não há as grandes noites e as grandes tardes no clube. Há a saudade , o desapontamento e a esperança de que um dia tudo volte a ser como era antes.  Porque há mudanças que trazem evolução e há outras que trazem regressão.

Salvo pelos blocos Tudo Azul , Caixão e Kengas,  além do novo , Papa Cuscuz, o carnaval de Murici é hoje , apenas um ensaio do que foi um dia .